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Filho de dono de terras no Estado de Nova York e profundamente influenciado pelo romantismo europeu, James Fenimore Cooper é considerado o primeiro escritor norte-americano a viver exclusivamente da profissão. Nasceu em 1789, em Burlington, New Jersey, e morreu em 1851. Durante a vida, acompanhou e opinou ativamente sobre as mudanças de vida no país. É possível perceber através dos romances de Cooper a atmosfera cultural do período, na qual trata das transformações políticas e da conquista territorial em que os Estados Unidos se lançavam.
Quando criança, a sua família mudara-se para o interior do Estado de Nova York, perto do lago Otsego - região hoje chamada de Cooperstown, em homenagem ao seu filho mais ilustre. É nessa região que se passa parte dos romances de Cooper. O pai do autor, William Cooper, era dono de terras, juiz de um pequeno vilarejo e líder comunitário. A família pertencia ao grupo religioso dos Quaker, sendo o pai atuante na política do Estado de Nova e York e do país. Participou do 4º e 6º Congressos que discutiam o Estado Nacional norte-americano recém-formado. Era, assim, considerado um federalista ativo[2 ]
James Fenimore Cooper entrou na Universidade de Yale em 1803, mas foi expulso em 1805 por “má conduta”. Consta que estava treinando um asno para sentar na cadeira do professor. Em 1808, por insistência do pai, entrou para a marinha dos Estados Unidos e, mais tarde, chegou a arriscar romances de ficção naval.
Já adulto, Cooper viu as imensas terras do pai invadidas por colonos “brancos audaciosos”, fato que inspirou alguns romances do autor e marcou a sua posição política em relação � s mudanças que o país vinha sofrendo. Na verdade, as terras do pai foram divididas entre Cooper e mais cinco irmãos. Estes morreram entre 1813 e 1819 e ele assumiu as dívidas deixadas pela família. Assim, as terras e a casa no Estado de Nova York que pertenciam � família foram vendidas para pagar as dívidas.
Cooper viu na literatura uma chance de ganhar dinheiro e se tornou famoso tanto nos Estados Unidos quanto na Europa. Entre 1826 e 1833, já conhecido como escritor, viajou pela Europa, onde teve contato com escritores e romancistas europeus e foi, inclusive, cônsul do seu país na cidade de Lyon, na França.
O cinema de Hollywood, mas também parte da historiografia norte-americana, mostram a conquista do Oeste daquele país como um processo no qual o pequeno proprietário era o principal favorecido. A tendência geral é localizar os grandes proprietários de terras exclusivamente no Sul do país, em função do sistema de plantation e da mão-de-obra escrava que sobressaía na região. Embora no Estado de Nova York a mão-de-obra escrava não tenha se tornado o eixo central da economia, como no Sul do país, é preciso afirmar que no Norte inúmeras famílias eram donas de escravos e outras tantas possuíam grandes propriedades de terra. O caso de Cooper é revelador. Pode-se afirmar que o nosso autor, na infância e início da mocidade, usufruiu a vida de gentleman. Era um cavalheiro rural, pertencente ao segmento dos grandes proprietários de terras que dirigiam o país.
No interior do Estado de Nova York, perto das montanhas Catskills, Cooper teve contato com índios diversos e com os desbravadores da fronteira. Essas experiências foram fundamentais para a construção da série de romances Leatherstocking Tales. Não só o contato com os índios foi importante na vida de Cooper. Como veremos adiante, o processo de empobrecimento do autor, a perda das terras e as transformações do período foram essenciais na construção do romance Os Pioneiros. Cooper, ao invés de evitar a relação entre sua própria vida e a ficção, fazia questão de vincular o seu primeiro romance � sua história pessoal.
Esse trabalho pretende ser um conto descritivo... e pode-se interrogar o quanto se tem aqui de ficção ou fatos literais... Existe uma tentação constante em delinear o que era conhecido, mais do que pode ser imaginado. Essa rígida adesão � verdade e indispensável requisito da História e viagens, destrói o charme da ficção... (Cooper, 1964: 5)[3 ]
O autor deixa claro que o que escrevia era ficção, embora afirmasse para o leitor que sabia do que falava, pois a sua história pessoal lhe dava autoridade para isso.

O ÚLTIMO DOS MOICANOS
Em 1757 franceses e ingleses na Guerra dos 7 anos (1756-1763) lutam pela posse de terras na América do Norte, usando como soldados índios de diferentes tribos. Hawkeye, filho adotivo de Chingachgook e pertencente � tribo dos Moicanos, consegue salvar as duas filhas de um oficial britânico do ataque dos índios Huronos e as acompanha até o forte William Henry, tomado pelos franceses. Cora, uma das jovens, se apaixona por Hawkeye, que, junto a sua tribo, representa a última esperança também para os ingleses.

Contexto Histórico (do filme)

A Guerra dos 7 Anos, que serve como "pano de fundo" para o filme, envolveu franceses e ingleses entre 1756 e 1763, na disputa de uma série de territórios da Ásia, África e, principalmente, América do Norte. Além de mostrar a manipulação do índio pelo ocidental, essa guerra, vencida militarmente pelos ingleses, merece muita atenção dos estudantes, por ter sido um dos principais antecedentes do processo de independência dos EUA, já que representou um verdadeiro divisor de águas na relação metrópole-colônias.
Mesmo com a vitória e expansão de seu colonialismo na América do Norte (notadamente no Canadá), a Inglaterra acumulou um elevado ônus com a guerra, fato esse que estabeleceu uma mudança radical na sua relação com as treze colônias norte-americanas. A partir de então, o liberalismo que norteava a relação metrópole-colônias cede lugar para uma postura cada vez mais intervencionista, representada por uma implacável carga fiscal. As leis "do Açúcar", "do Selo" e "do Chá", são os principais exemplos da radicalização do fiscalismo metropolitano sobre as "13 colônias", incompatível com o sentimento de autonomia dos colonos, estimulado pelos princípios de liberdade, igualdade de representatividade do pensamento iluminista, em grande difusão por todo mundo ocidental nesse momento histórico.
A principal resistência dos colonos ao fortalecimento fiscal ocorre durante o conhecido "Boston Tea Party", uma festa tradicional que acontecia anualmente em Boston, e que após a decretação da Lei do Chá, ganhou vultos de rebelião, quando colonos disfarçados de índios atiraram no mar uma grande quantidade de chá, negando-se a aceitar o produto com preço majorado pelos ingleses. Em resposta a essa atitude, a Inglaterra recrudesceu ainda mais sua postura editando as Leis Intoleráveis, que dentre outras medidas, estabeleciam o fechamento do porto de Boston para o comércio colonial.
A mobilização dos colonos ocorre rapidamente nos Primeiro e Segundo Congressos da Filadélfia, sendo que o último, articulado por homens de vanguarda da época, como Benjamim Franklin e Thomás Jefferson, resultou na Declaração de Independência dos EUA em 04 de julho de 1776. Destacam-se ainda nesse mesmo contexto, outros episódios de grande relevância histórica, como as Revoluções Industrial e Revolução Francesa, ambos também influenciados pelos ideais da ilustração que marcaram a transição do Capitalismo Comercial para o Industrial, durante a passagem da Idade Moderna para Contemporânea.


Sinopse:
Baseado no romance homônimo de James Fenimore, O Último dos Moicanos é um épico recheado de amor e batalhas durante a Guerra dos Sete Anos. Este remake do clássico de 1936 dirigido por Randolph Scott ficou a cargo de Michael Mann (O Informante e Fogo Contra Fogo).

A costa leste da América do Norte é alvo da disputa entre ingleses e franceses nos anos de 1756 a 1763. O filme conta a história da guerra, em que ambas as partes buscaram alianças com as comunidades indígenas para conquistar a posse das terras.

Nathaniel Hawkeye (Daniel Day Lewis, de Em Nome do Pai e Meu Pé Esquerdo) é um jovem americano adotado e criado por uma família de índios moicanos. Junto com a tribo de Nathaniel, o território é também habitado por uma comunidade de colonos que não tem nenhuma simpatia pela Coroa Britânica.

Mas a guerra está cada vez mais perto, e os colonos e índios são convencidos a integrar milícias favoráveis ao exército inglês, que domina seu território. Eles aceitam, sob a condição de serem dispensados da função caso suas famílias corressem perigo.

Nesse contexto, Nathaniel encontra as filhas do coronel inglês Munro (Maurice Roeves), encarregado pela defesa do forte William Henry. A mais velha, Cora (Madeleine Stowe, de Tocaia e Short Cuts Cenas da Vida), chama sua atenção e a paixão de ambos torna se evidente, tendo como pano de fundo o terror da guerra. Mas ele tem um sério concorrente: um oficial inglês que pretende pedi Ia em casamento.

Contra o exército inglês, os colonos e alguns nativos, está a violenta tribo dos Yurons, aliada dos franceses. Todos correm perigo. O ódio mortal da tribo Yuron se dirige especialmente ao coronel britânico Munro, que foi o responsável pela chacina da família de um dos seus chefes guerreiros. Para conseguir a vingança, eles juntam se � s tropas francesas.

As famílias dos colonos começam a ser atacadas pelos Yurons mas, desrespeitando o combinado, os ingleses não informam os integrantes das milícias. Nathaniel descobre e trata de aconselhar aos colonos que retornem para suas casas. O coronel Munro manda prendê lo por incitação de motim.

Neste meio tempo, o oficial interessado em Cora percebe que, de fato, ela e o jovem moicano estão apaixonados. Se resta alguma esperança em casar se coro uma das filhas do importante coronel, o oficial a perde rapidamente: pois a irmã da moça teias seus olhos fixos no irmão adotivo de Nathaniel.

Mas o romance passa para um plano secundário: todos começam a ter problemas coro a guerra. Emboscadas são armadas e nem todos conseguem se salvar. Ódio, vingança, tragédias, morte. Pai te romance moderno, parte recriação histórica, o filme ganhou o Oscar (na categoria de Melhor Som).